Emagrecimento: os riscos do radicalismo
Sexta-feira, 10 de janeiro de 2003 às 10:48:23
Regimes de perda de peso baseados na ingestão das chamadas "fórmulas", diminuem o apetite causando uma disfunção hormonal que provoca a recuperação dos quilos perdidos em pouco tempo. Esta foi a conclusão do estudo feito pela endocrinolongista Adriane Rodrigues, que defendeu tese de doutorado sobre o assunto na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Adriane detectou riscos mais graves, além da ineficiência do método baseado em fórmulas.
Adriane Rodrigues baseou o seu trabalho, que recebeu nota 10 da banca examinadora, no mecanismo de ação da leptina, o hornônio que controla a obesidade. Ela teve como orientador o professor adjunto Cesar Boguszewski, do Serviço de Endocrinologia do Hospital de Clínicas de Curitiba. As pesquisas da médica começaram em 1998, quando surgiram no mercado importantes drogas para combater a obesidade que atuam no sistema nervoso central. Ficou provado que estes remédios que controlam o apetite, pois conseguem estimular o transporte de um hormônio denominado leptina pela corrente sangüínea até as células nervosas. O remédio dá a sensação de que a pessoa tem a fome saciada e repete desta forma um mecanismo natural existente no organismo, sem que a pessoa precise fazer dietas rigorosas.
Regimes baseados em fórmulas convencionais, que obrigam uma pessoa a adotar dietas radicais, pela tese de Adriane, fazem com que ela volte a engordar depois que deixa de lado o tratamento. Isto acontece justamente porque estas pessoas tornam-se fracas e desnutridas. Perdem energia e acabam suscetíveis a contrair disfunções hormonais.
Uma destas disfunções atinge justamente o hormônio que controla o apetite, impedindo que as células do cérebro tenham informações que permitam exercer controle sobre o cérebro.
Situação similar vivenciou Marisa Maria Fausel, de 43 anos, comerciante em Campina Grande do Sul, região metropolitana de Curitiba. Voluntária na pesquisa de Adriane ela foi, por diversas vezes, vítima do que os médicos chamam de ?efeito sanfona?. Tomava um tipo de remédio ou fazia um regime de curto prazo, perdia alguns quilos, mas, passado algum tempo, recobrava o peso anterior e mais um excedente.
Antes do último destes regimes, ela tinha 96 quilos. Quando sofreu as conseqüências do efeito sanfona, estava com mais de 100, até procurava o serviço de endocrinologia do Hospital de Clínicas. Hoje, mesmo após reconhecer que relaxou na dieta, está com 89 quilos, peso de 19 anos atrás, quando nasceu sua filha. Casos como o de Marisa e de outras 30 mulheres obesas incluídas na pesquisa serão agora descritos numa das principais publicações da Sociedade Americana de Endocrinologia. E devem ser apresentados por Adriane em congresso mundial sobre obesidade, programado para este ano no Brasil.
Fonte: Unimed do Brasil
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