O que a indústria do tabaco não diz
Sábado, 2 de novembro de 2002 às 10:47:14
Se hoje o tabaco é a segunda droga mais consumida entre os jovens, no mundo e no Brasil, isso se deve às facilidades e estímulos para obtenção do produto, entre eles o baixo custo. A isto somam-se a promoção e publicidade, que associam o tabaco às imagens de beleza, sucesso, liberdade, poder, inteligência e outros atributos desejados especialmente pelos jovens. A divulgação dessas idéias ao longo dos anos tornou o hábito de fumar um comportamento socialmente aceitável e até positivo. A prova disso é que 90% dos fumantes começam a fumar antes dos 19 anos de idade.
A indústria do tabaco vem utilizando várias estratégias para garantir a expansão do seu consumo. Algumas delas acabaram sendo reveladas durante uma ação judicial movida por estados norte-americanos contra grandes empresas transnacionais do tabaco, em que foi possível ter acesso às páginas de documentos de circulação interna dessas indústrias. Em vários trechos dos arquivos secretos, o jovem é descrito como um dos principais alvos estratégicos. Além disso, os documentos comprovam que, apesar de a indústria do tabaco se posicionar publicamente de uma forma, suas verdadeiras intenções são completamente opostas. Veja alguns exemplos:
"Eles representam o negócio de cigarros amanhã. À medida que o grupo etário de 14 a 24 anos amadurece, ele se tornará a parte chave do volume total de cigarros, no mínimo pelos próximos 25 anos" J. W. Hind, R.J. Reynolds Tobacco, internal memorandum , 23rd January 1975"
"Atingir o jovem pode ser mais eficiente mesmo que o custo para atingi-los seja maior, porque eles estão desejando experimentar, eles têm mais influência sobre os outros da sua idade do que eles terão mais tarde, e porque eles são muito mais leais a sua primeira marca" Escrito por um executivo da Philip Morris em 1957
Fique atento e não se deixe enganar! Após a divulgação desses documentos e principalmente dos recentes avanços alcançados pela saúde pública no controle do tabagismo, a indústria fumígena passou a adotar um discurso conciliador visando reconstruir sua imagem. Essa nova estratégia inclui algum reconhecimento dos riscos associados com o tabagismo, o desejo de diálogo, a abertura para regulamentações "racionais" e o envolvimento com projetos sociais para transmitir ao público a idéia de empenho pelas causas sociais como o combate à pobreza, ao trabalho infantil e ao analfabetismo, além da defesa do meio ambiente.
Por esses esforços, fica a impressão de que a indústria do tabaco é contra o consumo do tabaco entre os jovens e promove medidas supostamente dirigidas para prevenir o tabagismo para menores de idade, criando campanhas e utilizando a idéia de que "fumar é para adultos". Porém, na verdade, ao apresentar o cigarro como "adulto" e "proibido", a indústria busca colocar sutilmente um importante ingrediente para reforçar o comportamento rebelde do adolescente, pois as principais motivações para o adolescente fumar são o desejo de se afirmar como adulto, sua rebeldia e a rejeição dos valores dos seus pais.
Essas estratégias funcionam de forma favorável aos interesses econômicos da indústria do tabaco. São estratégias contraditórias, pois não mudam o interesse dos jovens em consumir cigarros nem reduzem o consumo do tabaco entre eles e ao mesmo tempo beneficiam as companhias de tabaco.
Fonte: Instituto Nacional do Câncer
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