24 de Agosto de 2020

A COVID-19 ainda não tem vacina ou tratamento específico. Entenda mais sobre a doença e ajude a combater informações falsas.


Definição e sintomas do coronavírus e COVID-19

rapaz sentado no sofá cm dores de cabeço

 

1. O que é COVID-19?

COVID-19 é a doença infecciosa causada pelo mais recente coronavírus descoberto. O vírus e a doença eram desconhecidos antes do surto iniciado em Wuhan, na China, em dezembro de 2019. Como nunca tivemos contato com o vírus antes, não temos imunidade contra ele.

2. O que é o coronavírus?

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), coronavírus é uma família de vírus que pode causar doenças em animais ou humanos. Em humanos, esses vírus provocam infecções respiratórias que podem ser desde um resfriado comum até doenças mais severas como a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS) e a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS). O novo coronavírus causa a doença chamada COVID-19.

3. Quais são os sintomas da COVID-19?

Os sintomas mais comuns da COVID-19 são febre, tosse seca e cansaço. Outros sintomas também comuns e que podem afetar alguns pacientes incluem dores, congestão nasal, dor de cabeça, conjuntivite, dor de garganta, diarreia, perda de paladar ou olfato e erupção cutânea na pele ou descoloração dos dedos das mãos ou dos pés. Esses sintomas geralmente são leves e começam gradualmente.

Algumas pessoas são infectadas, mas apresentam apenas sintomas muito leves.

A maioria das pessoas (cerca de 80%) se recupera da doença sem precisar de tratamento hospitalar. Cerca de uma em cada cinco pessoas que adquire COVID-19 fica gravemente doente e desenvolve dificuldade em respirar. As pessoas idosas e as que têm problemas médicos subjacentes, como pressão alta, problemas cardíacos e pulmonares, diabetes ou câncer, têm maior risco de desenvolver doenças graves. No entanto, qualquer pessoa pode pegar o COVID-19 e ficar gravemente doente.

Pessoas de todas as idades que apresentam febre e/ou tosse associada a dificuldade em respirar, falta de ar, dor ou pressão no peito, perda de fala ou movimento devem procurar atendimento médico imediatamente. Se possível, é recomendável ligar primeiro para o médico ou serviço de saúde, para que o paciente possa ser encaminhado para a clínica certa.

4. Quão grave é a COVID-19? 

Algumas pessoas infectadas pelo vírus podem não apresentar sintomas ou apresentar sintomas discretos. A maioria das pessoas infectadas (cerca de 80% ou mais) se recupera da doença sem precisar de tratamento especial. Cerca de uma em cada seis pessoas com COVID-19 pode desenvolvê-la em sua forma mais grave. O tempo de recuperação varia e, para pessoas que não estão gravemente doentes, pode ser semelhante ao período de duração de uma gripe comum. Pessoas que desenvolvem pneumonia podem levar mais tempo para se recuperar (dias a semanas). Pessoas idosas (principalmente acima de 70 anos) e as que apresentam doenças crônicas – por exemplo: pressão alta, doenças respiratórias crônicas, problemas cardíacos, diabetes, problemas renais e pessoas com o sistema imunológico comprometido, como as que estão em tratamento para câncer –  têm maior probabilidade de desenvolver doença respiratória mais grave.

Transmissão do coronavírus

criança no colo da mãe. A criança tosse e cobre sua boca e nariz com o braço.

5. Como a COVID-19 é transmitida?

As pessoas podem pegar a COVID-19 de outras pessoas que têm o vírus. A doença se espalha principalmente de pessoa para pessoa através de pequenas gotas do nariz ou da boca, que são expelidas quando uma pessoa com COVID-19 tosse, espirra ou fala. Essas gotículas são relativamente pesadas, não se espalham para muito longe e rapidamente se depositam nas superfícies e chão. As pessoas podem se contaminar caso respirem essas gotículas de uma pessoa infectada pelo vírus. É por isso que é importante ficar a pelo menos um metro de distância dos outros. Essas gotículas podem pousar em objetos e superfícies ao redor da pessoa, como mesas, maçanetas e corrimãos. As pessoas podem ser infectadas ao tocar nesses objetos ou superfícies e depois tocar nos olhos, nariz ou boca. Por isso é tão importante lavar as mãos regularmente com água e sabão ou limpar com álcool gel a 70%.

A Organização Mundial da Saúde tem avaliado pesquisas continuamente para entender todas as possibilidades de transmissão do vírus.

6. Pessoas sem sintomas podem transmitir o coronavírus?

A principal maneira pela qual a doença se espalha é através de gotículas respiratórias expelidas por alguém que está tossindo. O risco de contrair COVID-19 de alguém sem sintomas é baixo. No entanto, muitas pessoas com COVID-19 experimentam apenas sintomas leves, isto é particularmente verdade nos estágios iniciais da doença. Portanto, é possível contrair COVID-19 de alguém que tenha, por exemplo, apenas uma tosse leve e não se sinta doente, por exemplo.

7. Posso pegar a COVID-19 se tiver contato com fezes de alguém com a doença?

O risco de pegar COVID-19 nas fezes de uma pessoa infectada parece ser baixo. Embora as investigações iniciais sugiram que o vírus possa estar presente nas fezes em alguns casos, a disseminação por essa via não é uma característica principal do surto. Como isso é um risco, no entanto, é outro motivo para limpar as mãos regularmente, depois de usar o banheiro e antes de comer.

9. Quais são os riscos especiais de COVID-19 para mulheres grávidas?

A taxa de infecção e a progressão para doença grave em mulheres grávidas é semelhante a de mulheres adultas não grávidas. As mesmas medidas de proteção contra a transmissão do vírus se aplicam a ambas. Até agora, nenhuma transmissão da mãe para o feto foi descrita. O parto vaginal deve ser encorajado quando a mãe e o bebê não estão gravemente doentes. Medidas rígidas de proteção (máscaras faciais, higiene das mãos) devem ser observadas para proteger o recém-nascido e a equipe de saúde durante e após o parto. A separação da mãe e do bebê e a amamentação devem ser discutidas caso a caso. O recém-nascido deve ser protegido da infecção pela mãe, tanto quanto possível. Se a mãe desejar esgotar seu leite ou amamentar, a desinfecção da mama deve ser adicionada aos métodos de proteção mencionados.

10.  Fumantes e usuários de produtos de tabaco correm maior risco de infecção por COVID-19?

É provável que os fumantes sejam mais vulneráveis à COVID-19, pois o ato de fumar significa que os dedos (e possivelmente os cigarros contaminados) estão em contato com os lábios, o que aumenta a possibilidade de transmissão do novo coronavírus da mão para a boca. Os fumantes também podem já ter doença pulmonar ou capacidade pulmonar reduzida, o que aumentaria muito o risco de doença grave.

Outros produtos para fumar, como bongs, que geralmente envolvem o compartilhamento, podem facilitar a transmissão da COVID-19 em ambientes comunitários e sociais.

Condições que aumentem as necessidades de oxigênio ou reduzem a capacidade do corpo de usá-lo adequadamente colocam os pacientes em maior risco de doenças pulmonares graves, como pneumonia.

 

Exames e diagnóstico do coronavírus

Homem se consultando com um médico

11. O que significa um caso suspeito de COVID-19?

Pessoas que apresentem febre, tosse seca e cansaço, além de outros sintomas menos comuns como dores, congestão nasal, dor de cabeça, conjuntivite, dor de garganta, diarreia, perda de paladar ou olfato e erupção cutânea na pele ou descoloração dos dedos das mãos ou dos pés.

Algumas pessoas podem estar infectadas e apresentarem sintomas muito leves.

Caso você se sinta doente, com sintomas de gripe, evite contato físico com outras pessoas, principalmente idosos e doentes crônicos. Fique em casa isolado também dos demais familiares ou contactantes domiciliares por 14 dias. Use máscara sempre que for necessário contato com outras pessoas, mesmo seus familiares. Só procure um hospital de referência se estiver com desconforto respiratório e falta de ar.

12. O que devo fazer se tiver sintomas de COVID-19 e quando devo procurar atendimento médico?

Se você tiver sintomas menores, como tosse leve ou febre leve, geralmente não há necessidade de procurar atendimento médico. O ideal é ficar em casa, fazer autoisolamento (conforme as orientações das autoridades nacionais), e monitorar seus sintomas. 

No entanto, se você mora em uma área com malária ou dengue, é importante não ignorar os sintomas da febre. Procure ajuda médica. Ao comparecer ao serviço de saúde, use uma máscara, se possível, mantenha pelo menos 1 metro de distância de outras pessoas e não toque nas superfícies com as mãos. Se for uma criança que estiver doente, ajude-a a seguir esta orientação.

Procure atendimento médico imediato se tiver dificuldade de respirar ou dor/pressão no peito. Se possível, ligue para o médico ou unidade de saúde com antecedência, para que possa ser direcionado para o centro de saúde adequado.

13. O que é um caso confirmado de COVID-19?

  • LABORATORIAL: caso suspeito ou provável com resultado de exame positivo 

  • CLÍNICO-EPIDEMIOLÓGICO: caso suspeito ou provável com histórico de contato próximo ou domiciliar com caso confirmado laboratorialmente por COVID-19, que apresente febre OU pelo menos um dos sinais ou sintomas respiratórios, nos últimos 14 dias após o contato, e para o qual não foi possível realizar a investigação laboratorial específica. 

Alerta-se que a febre pode não estar presente em alguns casos como, por exemplo, em pacientes jovens, idosos, imunossuprimidos ou que, em algumas situações, possam ter utilizado medicamento antitérmico.

14. Quem deve fazer o exame para confirmação?

O exame para COVID-19 deve ser feito somente quando solicitado pelo médico, que vai levar em conta a história e o tempo de evolução da doença para indicar qual o exame mais indicado. É importante que o médico interprete o resultado do exame, pois o fato de ser negativo não confirma, necessariamente, ausência de doença.

Quanto aos exames disponíveis para diagnóstico da COVID-19, há vários tipos de testes, entretanto, existe muita discussão relacionada à sensibilidade e valor preditivo dos métodos. Assim, temos o teste que detecta diretamente a presença do vírus nas secreções respiratórias, também considerado como padrão-ouro para diagnóstico, que é o RT-PCR e possui cobertura obrigatória pelos planos de saúde. Também dispomos de testes sorológicos, que detectam anticorpos contra o coronavírus no sangue, mas que não possuem cobertura obrigatória até este momento e dependem de uma série de fatores para sua adequada utilização.

15. Posso fazer exames preventivos?

Não existe indicação para realização de exames preventivos para COVID-19. Se não houver sintomas, não há necessidade do exame específico.

16. O que é um caso curado de COVID-19?

Diante das últimas evidências, o Ministério da Saúde define que são curados:

  • Casos em isolamento domiciliar: casos confirmados que passaram por 14 dias em isolamento domiciliar, a contar da data de início dos sintomas E que estão assintomáticos

  • Casos em internação hospitalar: conforme a avaliação do médico assistente.

17. Como diferenciar gripe comum de COVID-19?

Os sintomas de COVID-19 - incluindo febre, tosse e dificuldade em respirar - são semelhantes aos de outros vírus da gripe e resfriado. Nesse momento, a decisão de fazer o exame para identificar COVID-19 depende do status clínico do paciente e do status da epidemia em uma localização geográfica específica. Uma história de viagens, especialmente viagens internacionais para uma das áreas mais afetadas, ainda é importante, mas isso está evoluindo à medida em que o surto se desenvolve internamente. O contato próximo com alguém que viajou para essas áreas ou com alguém que foi diagnosticado com COVID-19 são outras considerações. A avaliação dos sintomas de resfriado e gripe também inclui testes para vírus respiratórios de rotina, especialmente influenza. Em geral, se você não tem sintomas e normalmente não procura atendimento médico com base no que sente agora, não precisa de avaliação ou teste para COVID-19.

 

18. Quais as principais diferenças entre as doenças respiratórias?

Fonte: Ministério da Saúde

Tratamento para COVID-19

18. O que ajuda, o que não ajuda e o que está em estudo?

A maioria das pessoas que adoece com a COVID-19 poderá se recuperar em casa. No momento, não existem tratamentos específicos para a COVID-19. Mas, muitas das medidas já sacramentadas para controle dos sintomas da gripe comum – como repouso, hidratação contínua, medicamentos para aliviar a febre e dores – também são úteis com a COVID-19.

Enquanto isso, os cientistas estão trabalhando continuamente para desenvolver tratamentos eficazes. As terapias que estão sob investigação incluem medicamentos usados para tratar a malária e doenças autoimunes, antivirais desenvolvidos para outros vírus e anticorpos de pessoas que se recuperaram da COVID-19.

19. É seguro tomar ibuprofeno para tratar os sintomas de COVID-19?

Alguns médicos franceses desaconselham o uso do ibuprofeno para os sintomas de COVID-19, com base em relatos de pessoas saudáveis ¿¿com COVID-19 confirmado que estavam tomando um anti-inflamatório não hormonal (que não é corticoide) para aliviar os sintomas e desenvolveram uma doença grave, especialmente pneumonia. Estas são apenas observações e não são baseadas em estudos científicos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou inicialmente o uso de acetaminofeno ou paracetamol em vez de ibuprofeno para ajudar a reduzir a febre e dores relacionadas a esta infecção por coronavírus, mas agora afirma que o acetaminofeno ou o ibuprofeno podem ser usados. Mudanças rápidas nas recomendações criam incertezas, por isso, ainda é prudente escolher primeiro o acetaminofeno, com uma dose total não superior a 3 mil miligramas por dia.

20. Cloroquina, hidroxicloroquina e azitromicina são seguras e eficazes no tratamento da COVID-19?

Relatórios iniciais da China e da França sugeriram que os pacientes com sintomas graves de COVID-19 melhoraram mais rapidamente quando receberam cloroquina ou hidroxicloroquina. Alguns médicos estavam usando uma combinação de hidroxicloroquina e azitromicina com alguns efeitos positivos.

A hidroxicloroquina e a cloroquina são usadas principalmente para tratar a malária e várias doenças inflamatórias, incluindo lúpus e artrite reumatoide. A azitromicina é um antibiótico comumente prescrito para infecções na garganta e pneumonia bacteriana.

Demonstrou-se que a hidroxicloroquina e a cloroquina matam o vírus COVID-19 na placa de laboratório. Os medicamentos parecem funcionar através de dois mecanismos: primeiro, eles dificultam a ligação do vírus à célula, impedindo que o vírus entre na célula e se multiplique dentro dela. Segundo, se o vírus conseguir entrar na célula, as drogas o matam antes que ele possa se multiplicar.

A azitromicina nunca é usada para infecções virais. No entanto, este antibiótico tem alguma ação anti-inflamatória. Houve especulações, embora nunca comprovadas, de que a azitromicina pode ajudar a atenuar uma resposta imune hiperativa à infecção por COVID-19.

A sociedade científica ainda não divulgou se esses medicamentos, isoladamente ou em combinação, podem tratar a infecção viral por COVID-19. Estudos humanos recentes sugerem nenhum benefício e possibilidade de um risco maior de morte devido a anormalidades do ritmo cardíaco.

Com relação à eficácia da hidroxicloroquina isolada na prevenção da infecção por coronavírus, os resultados de um ensaio clínico recém-publicado no New England Journal of Medicine descobriram que ela não preveniu a infecção. No entanto, a forma como este estudo foi conduzido foi questionado por alguns especialistas.

Onde isso nos deixa? A recomendação não mudou. A cloroquina ou a hidroxicloroquina com ou sem azitromicina não devem ser usadas para prevenir ou tratar a infecção por COVID-19, a menos que esteja sendo prescrita no hospital ou como parte de um ensaio clínico.

 

Texto, edição e revisão: Unimed do Brasil

Fonte: Ministério da Saúde, Organização Mundial da Saúde, Escola de Medicina de Harvard

Revisão técnica: equipe médica da Unimed do Brasil

Assessoria de Comunicação e Marketing Unimed Belém

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