30 de Outubro de 2020

Saiba quais são os problemas mais comuns que acometem essa glândula masculina


Por muito tempo, diversas campanhas focadas na saúde masculina recomendaram exames de rastreamento do câncer de próstata. Afinal, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens, depois do câncer de pele, e o diagnóstico precoce aumenta a eficácia do tratamento.

Porém, estudos demonstraram que o rastreamento da doença na ausência de sintomas também tem seus problemas. Por isso, a investigação precisa ser uma decisão tomada em conjunto entre médico e paciente. Isso não significa que não seja importante falar sobre esse assunto.

Pelo contrário: o câncer de próstata atinge cerca de 65 mil homens no Brasil todos os anos e é responsável pela morte de mais de 15 mil deles. É o segundo câncer que mais mata homens. Neste artigo, vamos abordar:

O que é a próstata

médico indica em um molde humano o local da próstata

A próstata é uma glândula localizada acima do reto, abaixo da bexiga e que envolve a uretra (o canal que liga a bexiga ao orifício externo do pênis). A principal função da próstata é produzir o fluido prostático, que compõe o sêmen e protege os espermatozoides.

O tamanho da próstata do homem adulto é de aproximadamente 4 cm de largura e 3 cm de altura, e pode ser comparado ao tamanho de uma noz.

Essa glândula aumenta conforme a idade: aos 12 anos, pesa cerca de 4 g, aos 25 anos, cerca de 20 g e aos 70 anos, chega a pesar entre 50 e 70 g. Mas esse crescimento natural pode ser acompanhado de desconfortos.

 

As principais doenças e como diagnosticar

médico examina paciente

Os principais problemas relacionados à próstata são: hiperplasia benigna da próstata, prostatite e câncer de próstata.

Os sintomas podem ser parecidos:

  • dificuldade de urinar
  • demora em começar e terminar de urinar
  • sangue na urina
  • diminuição do jato de urina
  • necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite

Percebeu algum desses sintomas ultimamente? É sempre importante ir ao médico urologista para averiguar:

  • Hiperplasia benigna da próstata: aumento benigno da próstata, que acaba comprimindo a uretra e dificultando a passagem da urina. É a principal razão da maior quantidade de idas ao banheiro depois dos 50 anos. Mas, atenção: apesar de ser uma doença benigna, a urina estagnada pode provocar infecções e cálculos renais
  • Prostatite: inflamação da próstata, normalmente causada por bactérias e pode ser tratada com medicamentos
  • Câncer de próstata: desenvolvimento de células malignas na glândula da próstata. Na maioria dos casos, não apresenta sintomas nos primeiros anos, mas a evolução para a metástase pode acontecer.
Os principais fatores de risco para o câncer de próstata são:

Idade: o risco aumenta com o avançar da idade. No Brasil, a cada dez homens diagnosticados com câncer de próstata, nove têm mais de 55 anos
Histórico de câncer na família: homens cujo o pai, avô ou irmão tiveram câncer de próstata antes dos 60 anos fazem parte do grupo de risco
Sobrepeso e obesidade: estudos recentes mostram maior risco de câncer de próstata em homens com peso corporal mais elevado

Fonte: Ministério da Saúde

O diagnóstico do câncer de próstata é feito inicialmente pelos exames de toque retal (o médico avalia o tamanho, forma e a textura da próstata) e de sangue, o Teste PSA (teste da quantidade de Antígeno Prostático Específico, que, quando elevado, pode indicar câncer ou doenças benignas).

Ao ser percebida qualquer alteração suspeita nesses exames, o médico solicita uma biópsia, que é a retirada de pedaços bem pequenos da próstata para serem analisados em laboratório.

 

O homem sem sintomas precisa fazer exame de próstata?

O Ministério da Saúde, assim como a Organização Mundial da Saúde (OMS), não indica que homens sem sintomas façam exames de rastreamento. No entanto, isso não é consenso entre os médicos.

Recomenda-se que essa seja uma decisão tomada por médico e paciente ao avaliar riscos e benefícios dos exames.

Possíveis benefícios:

  • Os exames são simples de realizar
  • Os exames ajudam no diagnóstico do câncer de próstata, que pode não apresentar sintomas iniciais
  • Quanto mais precoce o diagnóstico, mais simples é o tratamento e melhor será a evolução da doença

Possíveis riscos:

  • O resultado do exame de PSA pode estar elevado mesmo quando não há câncer, e pode estar normal em alguns casos de câncer
  • Níveis elevados de PSA indicam a necessidade de biópsia de próstata para confirmar se há câncer e, na maioria das vezes, isso não se confirma. A biópsia pode ter complicações, como sangramento e infecção, além de causar dor, ansiedade e estresse no homem e em sua família
  • O diagnóstico e o tratamento de um câncer que não ameaça a vida podem causar ansiedade e resultar em incontinência urinária e impotência sexual

A Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos Estados Unidos atualizou, em 2018, sua diretriz para realização do teste PSA para câncer de próstata e recomenda que, para homens com idades entre 55 e 69 anos, o rastreamento seja uma escolha individual, e eles devem discutir os prós e os contras com seu médico antes de tomar uma decisão.

No entanto, as novas diretrizes ainda não endossam o rastreamento para homens com 70 anos ou mais. Um dos motivos é que o câncer de próstata em homens mais velhos provavelmente tem crescimento lento. Além disso, esse grupo tem menos probabilidade de morrer por causa do câncer de próstata e um risco maior de efeitos colaterais com o tratamento em comparação com os homens mais jovens.

Com ou sem exame de rotina, é recomendado que os homens visitem um médico com regularidade para avaliar a saúde como um todo. Além disso, a escolha pelo rastreamento do câncer de próstata deve ser individual, com suporte médico, e os homens devem pesar qualquer benefício possível contra os danos potenciais do rastreamento ao tomar essa decisão.

 

Outros cuidados importantes para a saúde do homem

senhores correm ao ar livre

A saúde do homem vai muito além da próstata. Falar de saúde masculina é mais que falar sobre um exame específico. Você sabia que os homens vivem, em média, sete anos a menos que as mulheres?

Segundo o Ministério da Saúde, os principais motivos de mortalidade da população masculina são: causas externas (violência e acidentes); doenças do aparelho circulatório; tumores (os de pulmão e de próstata são os que mais matam); doenças do aparelho digestivo e doenças infecciosas e parasitárias.

Boa parte dessas mortes tem causas culturais: a pouca abertura para conversar sobre saúde e sentimentos e a tendência masculina de só ir ao médico em casos de emergência.

Vamos mudar esse quadro? Pequenas mudanças de hábito podem ajudar: dar atenção aos sintomas, falar mais sobre a saúde física e mental e visitar o médico anualmente precisa estar na rotina dos homens também. Além disso, alimentação equilibrada, prática de exercícios físicos regulares, redução do consumo de álcool e do tabagismo são atitudes que protegem a saúde como um todo.

Que hábito você acha que pode mudar hoje?


Texto: Agência Babushka | Edição e Revisão: Unimed do Brasil

Fonte: Ministério da Saúde, Instituto Nacional do Câncer, Harvard, UNICAMP

Revisão técnica: equipe médica da Unimed do Brasil

Assessoria de Comunicação e Marketing Unimed Belém

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